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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei


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16-nov-2012

Hidensho 18 - Poeta da Espada

Hidensho: quando a Espada imita a vida!
É indescritível o que podemos aprender quando cruzamos espadas com Sensei. Pelo tempo que for, 1 minuto ou 1h, tenha certeza de apenas uma coisa: algo vai acontecer que mudará sua percepção para sempre, na luta e na vida.

Ontem (17/04/2012), durante o treinamento matinal do Sensei com os Shugyo* e Senpais*, observei como o Sensei golpeava facilmente, quase que lentamente, todos àqueles que o enfrentavam, a cada Ippomigi*. Havia algum segredo ali, algum detalhe que nos escapava, alguma sutileza imperceptível aos olhos inexperientes: algo que apenas o Mestre, indicando, podemos entender.

À distância, havia um quê de simplicidade, de facilidade. Nessa hora lembrei de uma máxima taoísta que diz: “O correto é fácil; o fácil é o correto”. Como o Sensei luta fácil!

Chegara minha vez: tomei o primeiro golpe. Tentei avançar, veio o segundo. Não tardou o terceiro, quarto, quinto... vigésimo golpe consecutivo. Como eu me esforcei para interromper a seqüência, parecia possível, mas quando imaginava que o faria, mais um...
Impossível não pensar que, na vida, é semelhante: quantas vezes, repetidas vezes, tomamos golpes seguidos, pela mesma falha, o mesmo padrão que cultivamos? Como transcender, como evoluir?

A espada e a vida; a vida e a Espada. A Espada que dá a vida, em abundância. Após levar 20 golpes consecutivos acho que entendi qual o sentimento que está por trás de um Rei (reverencia) sincero que fazemos ao ser golpeados. Na vida como no combate, o Men(golpe na cabeca) que tomamos é nosso Mestre maior.

Saí do treino com uma frase de Santo Agostinho na cabeça, pois ele expressou em um lindo verso porque devemos preferir o ensinamento da derrota aos louros da vitória:
“Prefiro a crítica que me educa, ao elogio que me corrompe.”

De fato, Sensei é o poeta da Espada.

Domo arigatougozaimashitá Sensei, por mais uma manhã mágica em sua companhia.

Cristiano - Unidade Santos

*Shugyo = Alunos que vem ao Sensei treinar em sistema de retiro espiritual
*Senpai = Veterano
*Ipponmigi = Comando para se alternar a ordem na fila






"Sabre argentino - Acervo do Sensei"

Tal como enunciei no Shin Hagakure, a espada é o seu pincel.
Para se "escrever" bem, precisa ter coração, técnica e versatilidade.
O importante é fazer a arte do combate. A arte da Estratégia.
Qual vai ser a sua "poesia"?

08-nov-2012

Uma vida Bem Vivida

No último sábado (03/11/2012) realizamos, na Catedral Nikkyoji da tradição Honmon Butsuryu-Shu, em São Paulo, o culto póstumo de sete dias do falecimento do Grande guerreiro Shihan Gosho Motoharu.

Para mim, particularmente, de todos os Mestres que tive, Gosho Sensei é especial: sempre um apoiador do meu treinamento e do Instituto Niten, tratando-me, conforme diz Yoshimochi Soke (filho de Gosho Sensei e 12º Sucessor do Niten Ichi Ryu): “considerando-o como um neto”.

 


"Como um neto"



Esse carinho demonstrado tantas vezes em meus Shugyos no Japão está imortalizado na Apresentação escrita por Gosho Sensei à edição em português do Gorin no Sho (O Livro dos Cinco Anéis, de Musashi Sensei).

 


Clique para ampliar

 


Ali, Gosho Sensei faz menção à descendência de minha família da região de Saga (onde se situava o antigo Clã de Nabeshima, onde o Hagakure fora escrito), atribuindo ao Espírito do Hagakure o mérito por todo o esforço que desempenhei para me aprofundar no Caminho do Samurai. Apenas recentemente, porém, notei que ao falar do Espírito do Hagakure, Gosho Sensei, na verdade, falava de sua própria história. Afinal, sua vida é um exemplo marcante da correção e força que estão representados no Espírito do Hagakure. Essa era a principal diferença que torna Gosho Sensei único.

Para começar, Gosho Sensei renasceu de duas mortes iminentes, sob a crueza das maiores guerras que o mundo conheceu. Praticamente, Gosho Sensei sobreviveu milagrosamente a um "Titanic" e a uma "invasão da Normandia".

No início da Segunda Guerra Sino-Japonesa (1937-1945), a tropa de Gosho Sensei fora submetida a fogo cerrado pela artilharia chinesa. Todos foram abatidos; Gosho Sensei caíra inconsciente, seriamente ferido. Já no mundo do além, inexplicavelmente, voltou à vida e, mais impressionante ainda, após sua recuperação, voltou aos terríveis combates daquelas guerras. Dizem os relatos que essa batalha se assemelhou em muito à invasão aliada à Normandia, pela crueza dos combates e pela brutalidade do conflito. Essa foi sua “Normandia” em solo chinês. Já ao final da Segunda Guerra Mundial veio o segundo renascimento de Gosho Sensei. Do porto de Fukuoka, de cada dez navios que zarpavam, nove eram abatidos pela Força Aérea aliada. O navio no qual Gosho
Sensei estava embarcado foi atingido e afundou, mas Gosho Sensei, novamente contando apenas com o Espírito do Hagakure, sobreviveu ao naufrágio. Após vencer a Normandia chinesa, o Mestre venceu o Titanic do pacífico. Pelos seus feitos sobre-humanos, mesmo entre os Mestres, é difícil alguém se igualar ao espírito do Shihan Gosho Motoharu.

 


 


 

Além dessas façanhas no front de batalha, Gosho Sensei atingiu a excelência em quatro Caminhos extremamente difíceis. Com certeza, se um homem se dedicar a qualquer um desses Caminhos demorará no mínimo trinta anos para atingir o estágio máximo; para apenas um homem atingi-los nos quatro, então, é tarefa quase impossível; algo que exigiria no mínimo 120 anos para ser alcançada. No Kendo, Gosho Sensei chegou ao 7º Dan Kyoshi, graduação máxima; no Iaido, chegou ao 8º Dan Hanshi; além desses dois Caminhos, Gosho Sensei se tornou Shihan (Grande Mestre) do estilo Sekiguchi Ryu IaiJutsu e, também, Shihan da 9º Geração do Hyoho Niten Ichi Ryu Kenjutsu, estilo fundado pelo invencível Miyamoto Musashi Sensei.

Gosho Sensei menciona o Hagakure por três vezes em sua Apresentação ao Gorin no Sho. A importância que Gosho Sensei dava ao Espírito do Hagakure certamente foi um dos importantes pontos de empatia que nos ligou ao longo de tantas décadas de convívio. Yoshimochi Soke contou-me certa vez que durante meus Shugyos, Gosho Sensei deixava de tomar seus medicamentos diuréticos para tratamento de pressão, pois, segundo o Sensei, “não poderia me dar um treinamento forte interrompendo-o a todo momento para urinar”. Aqui vemos mais uma manifestação do Espírito do Hagakure: colocar o Caminho acima de sua própria saúde, de seu próprio corpo; não é à toa que Gosho Sensei cita o Nabeshima Rongo (Crestomatia dos Nabeshima) em seu prefácio do Gorin no Sho: “Descobri que ser samurai é sinônimo de morrer”. Era impressionante seu vigor físico, mesmo após os 90 anos, nos treinando em sessões exaustivas de mais de duas horas.

Há dois anos, pude presenciar uma sessão de Tameshi-giri, na qual Gosho Sensei, aos 91 anos, realizou o corte mais perfeito que já vi. Poucos conseguem perceber o significado dessa proeza; apenas muitos anos de treinamento podem nos mostrar o grau de domínio espiritual que Gosho Sensei atingiu no Caminho da Espada.
 


" O corte mais perfeito que já vi"




Sempre risonho, alegre, sem orgulho e vaidade, Gosho Sensei foi um homem simples, que cultivava uma lealdade pétrea ao seu Mestre, Aoki Kikuo, 8º Soke do Hyoho Niten Ichi Ryu e 14º Soke do Sekiguchi Ryu Iaijutsu. Lealdade ao Mestre também é um Caminho; com certeza, o compromisso inquebrantável de Gosho Sensei com Aoki Soke mostra que o Espírito do Hagakure impregnava sua vida – essas são as características de um autêntico Samurai.

 


"Lealdade Petre ao seu mestre
(Gosho Sensei entre o Soke Aoki Kikuo e sua esposa)"



Ainda comentando a edição do Gorin No Sho em língua portuguesa, Gosho Sensei nos aponta o Caminho para que o Bushido continue seu desenvolvimento no Brasil: O Espírito do Hagakure.

Ha um ano , na ocasiao da inauguração do novo dojo(local de treino) do Niten Ichi Ryu no Japão, Gosho Sensei em suas palavras disse que a sua missão neste mundo já estava cumprida e que já não mais lecionaria. Ao ouvir aquilo, surpresa e tristeza bateram no meu coraçao.

Sim, Gosho Sensei nunca mais pisou no dojo depois daquelas palavras, mas tal como o pai que se preocupa com os seus filhos, dizem que apareceu no dojo dar algumas "espiadinhas" pela janela. Sempre preocupado com o desenvolvimento dos seus alunos...
Agora, Gosho Sensei pode ficar tranquilo, pois se depender dos samurais aqui do Niten o desenvolvimento do Bushido e do Niten Ichi Ryu estará garantido.
 








O Desenvolvimento do Bushido e do Niten Ichi Ryu no Niten estará garantido

06-nov-2012

Giri ao mestre

"Confesso que fiquei emocionado no último sábado.
Foi de última hora que consegui a confirmação de que realmente poderia ir até São Paulo para acompanhar o culto póstumo de Gosho Sensei (CS - 29 de Outubro - Shihan Gosho Motoharu) .
No meu coração eu sentia que deveria estar presente. Não apenas por possuir a graduação de Shoden no Niten Ichi Ryu, mas por que aprendi com o Sensei a sempre manter o sentimento de Giri (lealdade e gratidão) para com aqueles que nos ajudam a crescer. Isso, por mais que o tempo passe e muitas vezes as tentações para não mantê-lo sejam várias. Já me peguei algumas vezes, depois de ter entrado no Niten, prestes a tomar certas atitudes que fossem contra esse sentimento tão importante.

Como está escrito no Shin Hagakure, não conseguimos nada sozinhos.
Tentei demonstrar meu sentimento de Giri para com Gosho Sensei. Afinal, como o Sensei disse, não é qualquer um que passa pelo que Gosho Sensei passou apenas para poder treinar o Sensei. Como o exemplo do remédio de pressão que o Sensei nos contou.
Além é claro der enfrentar a morte duas vezes. Parece que eram as forças ocultas dizendo que Gosho Sensei deveria ficar entre os vivos para fazer a diferença entre eles. E, se não fosse por Gosho Sensei muita coisa poderia ter mudado e talvez nem eu estivesse no Niten.
Quando fiquei sabendo do falecimento busquei a orientação do Sempai Wenzel sobre como agir. Não sabia se ligava, escrevia, mandava um e-mail. Nunca tinha agido com relação a esse assunto com o Sensei. Mas como sempre a orientação do Sempai veio no sentido da ação. "Ir ao culto é o melhor kata, Chiarella". Como o Sensei já havia me ensinado: Samurai é aquele que age.
E Gosho Sensei com certeza agiu muito em prol do Sensei e do Niten.

Nunca havia participado de um culto póstumo budista. Fiquei impressionado com os filhos do Sensei que seguiam a cerimonia. Estavam levando realmente a sério tudo que estava acontecendo.
Agradeço ao Sensei por ter me ensinado sobre a importância de se ter gratidão. Domo arigatou gozaimashita Sensei.
Com os Momentos de Ouro (parte filosófica da aula) de sábado quero buscar o que o Gosho Sensei mantinha em sua vida e, que também viu no Sensei, os mandamentos do Hagakure (filosofia de vida dos samurais). Ser um Samurai Hagakure.
E peço Onegaishimassu (por favor) ao Sensei para me orientar nesse sentido.
Estou ansioso para ouvir sobre o terceiro mandamento. E também um pouco nervoso, pois os dois primeiros já são de extrema dificuldade de serem seguidos.

Não é para qualquer um. Gosho Sensei definitivamente não era uma pessoa comum.

Arigatou gozaimashita ao Sensei por essa especial manhã de sábado.
E que Gosho Sensei tenha partido em paz.
Meus sentimentos ...
"
Chiarella (Unidade Ribeirão Preto)










 

























Hoje em dia são poucos os que nutrem o sentimento de Giri, um misto de lealdade e gratidão de relação não consanguinea.
Se pensarmos bem, existem aqueles que dão muito mais de si para o nosso desenvolvimento e felicidade do que aqueles que tem o mesmo
sangue. Existem até parentes que dão mais dor de cabeça do que nos ajudam!
Então, mais que óbvio termos gratidão e, a partir deste ponto, é claro, não seria a lealdade o sentimento mais nobre que nasceria dentro de nossos corações por estas pessoas?
Volto a dizer: são poucos os que nutrem o sentimento de Giri, uma grande maioria que ainda não sabe onde está o seu sentimento e por fim, alguns poucos que "cospem no prato em que comeram".
Comecemos a agir. Se somos samurais.

05-nov-2012

Hidensho 17 - Isso é Kenjutsu!

"Cheguei às 6:48 na frente da Ana Rosa, lá já se encontrava o Del Vecchio, da Unidade de Ribeirão Preto que estava em Shugyo (treinamento espritual) desde Segunda-feira. Sempai Wenzel chegou logo depois, abriu a Unidade para nós e começamos a aquecer já com Bogu (equipamento de proteção). É preciso deixar claro que comecei a treinar por volta do ano 2000, treinava, de Sábado de manhã na Unidade Itaim. Comecei com Kenjutsu, me sentia em casa lutando e aprendendo o caminho e aos pouco fui treinando Iaijutsu, que também era um território ao qual me dedicava e com o tempo fui trocando um pelo outro. Se me perguntar por que exatamente eu não sei, mas nos meus mais de 10 anos de Niten, a maioria foram praticando IAI.
 
Por isso este relato hoje é sobre um reencontro. Uma conversa que deixei em aberto com o Sensei anos atrás e precisava de uma continuação. O Sensei chegou para o "diálogo" e começamos de fato a treinar.  Antes de qualquer Shiai (duelo), Sempai Wenzel me ensinou o "Piloto" – velho conhecido dos guerreiros do Niten – e junto com o Shugyosha (aquele que está em shugyo) pratiquei enquanto esperava para treinar com o Sensei. E este é um capítulo a parte.
 
A todos que já cruzaram espadas com o Sensei, posso afirmar que é impossível colocar em palavras a força da energia deste evento. Para os que ainda não o fizeram, aviso de antemão que abram bem os olhos e a alma e deixem que o Sensei te guie. Já lutei com o Sensei inúmeras vezes, em algumas estive em melhor forma, mental, física e técnica, o que não era o caso agora. Como todas as vezes, o Sensei ensina com cuidado e com firmeza, quando ele escolhe um Kamae provavelmente quer te ensinar um segredo ou reciclar sua técnica.
 
Ao final da primeira luta estava ofegante e percebi o quanto havia no meu caminho para percorrer, o Sensei me disse:
 
- Isso é Kenjutsu.
 
Nesta luta da manhã, ingenuamente, tentava vencer os milhares de golpes do Sensei tentado deixá-lo de frente para o Sol, mas quem diz que consegui movê-lo algum centímetro, era eu que tentando esquivar dos Mens (golpes sobre a cabeça) e Kotes (golpes sobre o antebraço) acabava encontrando a parede. Foram muito Kamaes (posturas), de guarda baixa, com golpes vindo com rapidez e precisão ou de guarda alta, onde eram indefensáveis.
 
Um deles é um Kamae, como que um Hasso (postura da arvore) invertido, que o Sensei o chamou de Kamae dos Deuses, ou Kamae dos Céus. Antes de voltarmos a lutar me confiou que muitos já viram este Kamae e nunca o desafiaram dizendo que não funciona ou mesmo tentaram vencê-lo, o Sensei afirmou com verdade no coração que este é um Kamae invencível.
 
Com este comentário do Sensei, falei "Hidenshô" e voltamos a lutar. Foram muitos outros Kamaes, com duas espadas ou somente com Kodachi (espada menor) – com esta última acabei sendo arremessado para o chão com tudo. Isso realmente é Kenjutsu, isso realmente é o caminho do guerreiro em busca do golpe invensível. 
 
No final do treino, cansado como nunca mais havia ficado – e olha que já corri provas de mais de 15 kilometros – nos sentamos para ouvir do Sensei as palavras de ouro, que resumirei em uma frase dita pelo Sensei após o primeiro gole de água que tomamos juntos após este treino perfeito:
 
- Isto é Felicidade.
 
 
Bruno D'Angelo (ex-Itaim, ex-Faria Lima e pela primeira vez, Ana Rosa)
 


 
 
- Como treinar com o Sensei? - muitos devem se perguntar.
E é por esta razão que este relato é importante. 
Bruno tem claro em sua mente que o treino comigo é um aprendizado. E não somente mais um exercício qualquer ou uma luta para se "sair melhor."
Ao escrever: "Como todas as vezes, o Sensei ensina com cuidado e com firmeza, quando ele escolhe um Kamae provavelmente quer te ensinar um segredo ou reciclar sua técnica." Coloca a mostra o verdadeiro intuito com que eu treino o aluno. 
De fato, para você aprender  os segredos de cada Kamae (postura), é necessário ter contato com o mestre que os demonstre ou que observe (por fora) o mestre demonstrando-os.
Digo para não perderem tempo com os mesmos Kamae, mesmo que estes sejam mais cômodos para "vencer", pois do contrário não conhecerão os outros que vem a seguir, limitando o seu conhecimento estratégico aos níveis superficiais...
É assim que se sucede a transmissão dos segredos no Caminho. 
Assim é o Kenjutsu.

30-out-2012

Aparição de Gosho Sensei na Unidade Vila Mariana



 

"Em primeiro lugar lamento muito receber a noticia do falecimento do Gosho Motoharu Sensei !

Fico imaginando os motivos pelos quais o Sensei abriu o Go Rin no Sho, exatamente no prefácio escrito pelo Gosho Motoharu Sensei no nosso último "Momento de Ouro", dia 27 de Outubro, na Unidade Vila Mariana (templo Nikkyoji), horas depois de seu falecimento.

O Sensei contou os detalhes do convívio com Gosho Sensei !
A reverência com sorriso...
A satisfação do Mestre em servir...
O "mou ichi do" usado da forma correta...
Receber tudo isso traduzido e comentado nos Momentos de Ouro é um privilégio.

Acho que o próprio Gosho Sensei queria se manifestar. Para aqueles de nós que tivemos o privilégio de estar lá no dojo, o significado real do 1º voto do Hagakure não será esquecido. Foi um Momento de Ouro especial. Nem morrendo 3 vezes o verdadeiro samurai é desviado do caminho. Ele continua apontando o caminho.

Querendo ser um homem melhor, já adquirí muitos livros de gestão, liderança ou educação. Só contribuí para a riqueza dos autores desses livros. A conduta de gerações não pode ser resumida em livros, mas as vezes ficam claras em "Momentos de Ouro".
Nesse sábado, ficou mais claro o valor daqueles "pedaços de papel" nos quais o Sensei escreve. Não devem ser descartados.

Temos o privilégio de escutar essas mensagens, e a responsabilidade de repassar corretamente para nossos filhos. É uma honra seguir as pegadas de grandes Mestres.
Otsukaresamadeshita, Sensei !"


Takeshi - Vila Mariana



Tomei conhecimento do falecimento no dia 28 às 22:30h...
Quase dois dias depois. 

29-out-2012

Shihan Gosho Motoharu

Peço um minuto de silencio.
O mundo acaba de perder um grande tesouro: Shihan Gosho Motoharu.





www.niten.org.br/shihan-gosho-motoharu
www.niten.org.br

26-out-2012

Hidensho 16 - Naginata Serena

"Koninchiwa Sensei,
Na última sexta-feira tivemos o último treino do Shugyo, fiquei triste em pensar que seria o último treino.
O interessante que na noite anterior quando me deslocava para o alojamento levando meus bokuros lembrei que o Sensei não havia levado a Naginata (alabarda), aí me atrevi a levar a dele e a minha para quem sabe treinarmos um pouco com Naginata, arma que tanto gosto. Acho que de alguma forma eu e o Sensei estávamos conectados porque quando estava cuidando do jardim na manhã seguinte na ADM recebi a ligação do mestre pedindo que eu levasse as Naginatas, fiquei sorrindo feito bobo e intrigado e disse que já tinha separado.
Depois de ter terminado os afazeres me desloquei para o Hokaido arrumei tudo e aguardei a chegada do Sensei. Nesse dia comecei a me inteirar mais com esse tipo de treino e as rotinas de preparação o que me deixava mais tranquilo e um pouco mais à vontade com o Sensei.
Após a chegada do Sensei já começamos com o treino e acho que foi nesse dia que consegui dar um Mem, que o Sensei disse que foi o único de todos os dias do Shugyo e aquele já valia pelo Shugyo inteiro.
Depois de algumas trocas de armas, o Sensei me pediu que pegasse a Naginata o que sempre me da muita alegria, e mais uma vez o Sensei me surpreendeu. O Sensei de Ito acertou o sune(perna) e não conseguia saltar porque não imaginava e nem conseguia ver qual era a intenção dele, e o Sensei foi trocando todas as armas Ito, Nito(duas espadas), Kodachi(adaga) e Naginata x Naginata. Em todas as lutas ele conseguia me acertar. A Naginata sendo uma arma comprida da à impressão que você tem vantagem, no entanto, isso nada significava para o Sensei ele entrava e saia no maai (distância) e eu nada conseguia evitar, era muito difícil e ele ainda conseguia tirar a Naginata de uma das minhas mãos tão rápido eu nem me dava conta como. Em uma das lutas Nito x Naginata eu visualize o Tsuki do Sensei e quase consegui toca-lo , pedi desculpas porque não posso usar esse golpe, o interessante que foi sem a intenção preconcebida foi apenas a ação.
No ultimo tempo dos embates Naginata x Naginata, via o Sensei como se tivesse pescando com ela que  descrevia uma trajetória que nunca vi ninguém manusear daquela maneira: ela vinha suave e serena e atingia com perfeição o alvo, eu me contentava apenas em olhar para tentar apreender mais um pouquinho.
Foi como sempre inesquecível.
Domo Arigato gozaimashita"

Aguilar - Unidade Guarulhos

Tsuba do periodo Meiji - Acervo do Sensei

25-out-2012

11º TBEK 5 - Detalhes

"Cada Torneio é uma emoção diferente, sem dúvida. O Torneio é um momento único de integração de todos os integrantes do Niten.

No primeiro momento a tensão das disputas, o medo de esquecer alguma sequência ou levar um golpe inesperado, depois vamos nos ambientando, sempre atentos à uma possível necessidade de algum Senpai, felizes ao reencontrar os companheiros de treino e de conhecer os novos. Apesar desses pontos se repetirem, na maioria das vezes em todos os Torneios do qual já participei, são nos detalhes que as diferenças emergem. São nos detalhes que podemos perceber o crescimento qualitativo do Niten, ora reencontrando um colega que mudou de Kyu, um ex-KIR Jovem que agora treina com os adultos e um colega que inicia uma nova modalidade ou arma e mesmo nas questões pessoais: recém-casados, filhos, universitários, formados, enfim, vamos tomando consciência de "como anda" essa grande família chamada Niten.

Arigatou gozaimashitá ao Sensei, pela dedicação diária e por ter, a quase 20 anos atrás, acreditado que ensinar o Caminho aos gaijins valeria a pena!
Arigatou gozaimashitá ao Senpai Wenzel, pela organização, supervisão e locução de todas as competições!
Arigatou gozaimashitá aos Organizadores desse Torneio, por nos proporcionar essa experiência!
Arigatou gozaimashitá aos Senpais, que conduziram as arbitragens!

Sayounará!"

Apoena Amaral - Unidade Ana Rosa


 






























23-out-2012

11° TBEK 3 - Meu primeiro torneio! Domo Arigatou Gozaimashita


"Konichiwá Sensei e Senpais!

Embora me sinta menos do que um grão de areia perto do universo que presenciei neste fim de semana, me sinto no dever de descrever esta fantástica experiência que me foi concedida.
Possuo quase 3 meses de treinamento e há poucas semanas fui permitido a usar o bogu e, de forma curiosa, ao chegar em casa após o primeiro dia de treino com o equipamento me deparei com o primeiro email que anunciava o 11º torneio brasileiro de kobudô por equipes e suas novidades quando comparado às edições anteriores. - "Quem me deras!", foi a primeira coisa que pensei. Logo depois tive a excelente idéia: -"Vou perguntar aos meus Senpais se posso acompanhá-los como espectador " e então veio a resposta do Senpai Drawin: "Até se você tivesse um dia de treino estaria pronto para se inscrever e compor a equipe". E obviamente pensei na categoria para iniciantes sem bogu, pois achava que era cedo demais para a categoria Kenjutsu. E então o Senpai me respondeu: - " Já converse com a kaikei e garanta sua inscrição na categoria Kenjutsu. Você está apto e irá compor nossa equipe". Incapaz de questioná-lo aceitei a missão.


 

 









 

Nos dois últimos treinos antes do torneio recebemos muitas informações sobre o evento: programação, conduta, regras e cuidados para que não ocorra nenhum inconveniente. Mas para mim, a partir da chegada na rodoviária já começaram os ensinamentos. Um fato que me marcou: fizemos uma parada em uma lanchonete de estrada para um lanche e eu peguei um salgado frito enquanto o Senpai Drawin pediu um misto quente básico. Ele comentou: - " Não sei se este salgado está bom ou se a fritura é de boa qualidade. Como temos o torneio amanhã prefiro não me arriscar a ter algum desconforto físico. Por isso prefiro este lanche básico, o qual estou acostumado.". Inocentemente (na verdade tolamente) respondi que só fiz aquela opção porque achei que o salgado estava com a "cara boa". Ao voltar para o ônibus isso me incomodou e refleti conforme o ditado: "O que os olhos não vêem o corpo sente." E assim percebi que o Senpai estava atento as condições e realmente se preparando para a guerra. Refleti ainda mais: -"Não estou a passeio, faço parte da equipe!" Shitsurei shimashitá ao Senpai pela tolice e arigatou gozaimashitá pela lição que despertou em mim. Por sorte não tive nenhum problema devido ao salgado.

 







 

Chegamos em São Paulo e ainda na rodoviária identificamos companheiros de guerra pelos bukuros. Entre eles o Senpai Côrtez do rio, uma ótima pessoa que inclusive uniu o grupo para chegar até o Sesc pinheiros. Ao chegar lá já me deparo com o local repleto de samurais e me espanto com a tamanha cordialidade de todos, como se fossem íntimos. Tive a oportunidade e honra de conhecer diversos Senpais de vários estados enquanto esperávamos para adentrar no dojo escolhido pelo Sensei para sediar o torneio. E por falar nisso, que dojo!!! A estrutura é incrível e o espaço utilizado dispensa qualquer elogio, pois não seria suficiente. Tamanho deveria ser o empenho da organização para um evento deste porte. Imediatamente me veio a imagem do Senpai Adeval, que, além de ter sido o coordenador do torneio enfrenta o trajeto SP/BH para ministrar o treino todos os sábados com muita disposição e vontade, para depois retornar para sua família e suas obrigações ainda no fim de semana. Arigatou gozaimashitá Senpai!



 

Eu estava arrumando meu hakamá quando escuto: -"Mina-sam!!" Era o lendário Senpai Wenzel que só conhecia pela TV e YouTube anunciando o REI devido a chegada do Sensei. Enquanto eu respondia "Onegai shimassu" percebi que tudo aquilo era real e finamente tive a oportunidade de conhecer kishikawa Sensei. Sua imagem, serena e imponente, fizeram-me sentir um pouco embaraçado diante da sua presença. Sumimassem Sensei pois acho que por isso não respondi com um HAI enérgico quando me perguntou se havia treinado firme para o torneio. Não acontecerá novamente.





 

NARABÉ!! Nesse momento percebi quantos samurais haviam no torneio. E então recebemos a palavras do Sensei sobre nunca desvirtuar ou esquecer do verdadeiro caminho samurai. Não me esquecerei.

 


 

Ínicio das competições. O desempenho do Kir jovem me deixou perplexo! Esses "samuraizinhos" me deram uma aula de Ki, Ken e Tai!




 





 

Quanto as modalidades que se seguiram resumo em 2 palavras: beleza e riqueza! Jojutsu, kusarigamajutsu, jittejustsu, Iaijutsu... Impressionante a energia e técnica dos competidores, com certeza reflexo de sua determinação para com o treinamento.

 
















 

Começam as competições do Kenjutsu pelas quais aguardava ansioso. A categoria feminina revelou verdadeiras guerreiras e pude aprender muito com elas. Suavidade e energia, graciosidade e precisão! Preciso treinar muito ainda para chegar perto!

 



 



E então é chegada a hora: Kenjutsu masculino! Percebi que não piscava pois os olhos começaram a arder. Também, se eu piscasse perderia algum golpe. Velocidade, energia, coragem, força e mais uma aula de Ki, Ken e Tai. Antes da hora de nossa equipe entrar, meus Senpais estavam sempre me orientando e respondendo prontamente quanto as estratégias de combate e detalhes sobre as regras. Principalmente o Senpai Fonseca e Senpai Loures, já que o Senpai Drawin estava arbitrando algumas modalidades. Arigatou gozaimashitá pelos ensinamentos!

 

 










 

Chegou a hora de Bh entrar em combate e tentei dar o meu máximo. Busquei fazer exatamente o que meus senpais me orientaram mas infelizmente não consegui vencer Massaro, que me deu uma aula. Aprendi muito com os combates mas infelizmente nossa equipe perdeu. Nossos companheiros oponentes tem muito mérito pelo desempenho e capacidade técnica. Apesar da derrota acredito que ganhamos muita experiência e principalmente eu, pois saí com sede de treinamento e vontade de aprender. Mal posso esperar o próximo treino nessa semana, mal posso esperar o próximo torneio.
Após o torneio fomos para a confraternização no dojo Ana Rosa e a rivalidade do combate deu espaço para a amizade! Foi muito bom deixar as armas de lado e interagir com os companheiros de caminho. São agradáveis, alegres e tive a oportunidade de conhecer várias pessoas de diferentes estados. Uma experiência ímpar.


 













 


Antes de dormir mais uma lição: cuide bem do espaço que usam e zelem por ele. Antes de dormir e depois de acordar todos ajudaram prontamente a limpar e organizar o local que foi disponibilizado para nos alojar e com a ajuda de todos foi fácil e rápido.
Depois do café fomos direto para o dojo sumaré: mais treino! E desta vez experimentei um treinamento que não havia passado: Jugueijlko. Pude perceber que a energia do treino estava bem alta e acho que era normal devido a um torneio de nível no dia anterior. Infelizmente não consegui suportar todas as 2hrs de treino pois meu preparo físico ainda não me permite e tive um pouco de mal estar devido ao calor e a intensidade do treino! Apesar de parar para me recompor tentei fazer o máximo de lutas possíveis, pois a oportunidade de experimentar o treinamento com diversos Senpais com diversas habilidades e técnicas é um aprendizado que posso ter apenas eventualmente e não poderia desperdiçar essa chance.

 



 











 


KAISSAN! Eram 13:30 de domingo após juntarmos e organizarmos todo o material de treino. Hora de retornar a BH, renovado com a experiência!
Foram dois dias incríveis e talvez indescritíveis, pois vivenciá-los é diferente de lê-los nesse relato. Então, apesar de iniciante pude perceber a grandeza da escola a que pertencemos. Minhas expectativas foram superadas e me sinto renovado.

 

Domo arigatou gozaimashitá aos Senpais Drawin e Fonseca pelos ensinamentos, dedicação, paciência e por me apresentar a este novo mundo, ao Senpai Loures pela conduta, presença e atenção e principalmente ao Sensei, pelo legado de verdadeiros samurais que vem construindo há décadas e por manter essa chama acesa, na difícil missão de formar seres humanos melhores para o mundo e dessa forma torná-lo melhor.

Sayounará! Domo arigatou gozaimashita!"
Vilela - Unidade BH, Villela




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