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Mural Niten Rio


FILOSOFIA SAMURAI

por NitenRio - RJ/Niteroi - 13-abr-2014

Matéria publicada
na Revista O FLU,
encarte do Jornal
`O Fluminense´

de Niterói
da edição de Domingo
de 13 de abrl de 2014

(clique nas páginas para ampliar)







FILOSOFIA SAMURAI

Por: Fernanda Paixão 13/04/2014

Kenjutsu, arte marcial de origem japonesa, ajuda o desenvolvimento espiritual

No Japão, um jovem guerreiro dedicou sua vida à arte da espada. Seu nome era Musashi, um samurai que desenvolveu técnicas de combate usadas até hoje na prática de artes marciais como o kenjutsu. Legado de Musashi, a luta, que usa duas espadas, é conhecida como a arte da espada dos samurais. As aulas de kenjutsu são praticadas com armas feitas de bambu e madeira, e, aliada aos treinos, há uma forte filosofia.

Entrar em um dojo, o local de treinamento, traduzido como “local do caminho”, é sentir um pouco da filosofia samurai, transmitida de forma inerente aos treinos de kenjutsu, em reverências e na integração do grupo. O Instituto Niten é o polo de artes marciais que trouxe esta prática para Niterói, através do professor Marcos Vinícius Renault. Mestre senpai (aluno mais antigo) do Rio de Janeiro, Wenzel Bohm frisa que, seja em qual cidade ou país for, o kenjutsu e qualquer outra arte marcial é passada aos alunos da mesma forma. 

“O que chama muita atenção na cultura japonesa é a atenção no outro, o convívio e a etiqueta. A cultura marcial japonesa tradicional é muito forte”, pontua. “A arte da espada vem do século XII, mas é sempre um caminho espiritual também. Nosso objetivo não é apenas ensinar a lutar com espada, mas incitar o desenvolvimento espiritual de cada um. Através da luta com espada se busca potencial, uma vida melhor, mais saudável e harmônica”, explica Wenzel.

Apesar da curiosidade sobre a luta com espadas ser um grande atrativo do kenjutsu, Wenzel destaca que a maior parte dos alunos ingressa na atividade em busca da filosofia. 

O interesse pelos desenhos japoneses levou Breno Freitas, senpai que coordena as aulas em Niterói, a descobrir também o kenjutsu. “Comecei a treinar com 13 anos, fui descobrindo todo o conteúdo das artes da espada samurai, as virtudes, compaixão, coragem e a questão da benevolência”, conta. 

Ser devoto é algo inerente aos samurais. A própria palavra “samurai” está relacionada a “servir”. “Nós seguimos os votos do samurai, que é ter coragem no que faz, ser de utilidade ao grupo, ter devoção filial aos pais e ter uma grande compaixão por seres vivos”, explica Breno. “O samurai se diferenciava dos outros guerreiros por não ser sanguinário, mas um guerreiro a serviço do senhor feudal”, explica.

"Momento de ouro"

As aulas de kenjutsu, que começam com o aquecimento e depois partem para os treinos, são concluídas com o chamado “momento de ouro”, onde o senpai passa um pouco da cultura japonesa em contos aos alunos sentados em círculo. No kenjutsu, o preparo mental é tão importante quanto a técnica. 

O comerciante Omar Marques, de 57 anos, encontrou o kenjutsu após passar pelo trauma de um grave acidente de moto, mas foi o que o levou também a uma experiência transcendental. Ele conta que, ainda sedado, escreveu kanjis, caracteres da escrita japonesa, na parede do hospital. Porém, nunca havia estudado os símbolos. 

“Quase perdi o braço esquerdo, o principal para realizar movimentos com espada no kenjutsu”, conta. Melhor, mas não ainda recuperado, Omar começou a praticar kenjutsu, onde encontrou conforto, paz e satisfação na vida. “Eu andava nervoso e agressivo. No kenjutsu eu liberei tudo isso”, diz Omar, que completou três anos na atividade.

Já o estudante Antonio Kazuo, de 18 anos, foi iniciado nos ideais japoneses pela família. Seu avô, japonês, e sua mãe geraram forte influência sobre Kazuo, como é chamado nas aulas que faz uma vez por semana em Niterói. “Eu já estava acostumado com o jeito de lidar com a disciplina, filosofia e até a questão de tempo, porque sou mestiço, então isso facilita um pouco mais. Do meu avô, foi passado mais pelo silêncio. Ele não reclamava, só fazia. Minha mãe já me passou essa ideia no cotidiano, defendendo o ‘fazer bem-feito’, seja o que for”, conta. 

Kazuo nunca havia feito artes marciais antes de entrar no kenjutsu e, assim que chegou, identificou a atmosfera que herdou da família. “Em outras artes não se tem tanto essa integração, essa energia com o outro. E a gente leva isso para o dia a dia também, passamos a prestar atenção no que está à nossa volta, de outra forma”, diz.

A integração se estabelece antes mesmo de a aula começar. Todos preparam juntos o espaço, fazendo as devidas reverências antes de adentrá-lo, como onegai shimasu (podendo ser traduzido para “por favor”). 

O Instituto Niten prepara torneios anuais de kenjutsu, que inclusive já aconteceram duas vezes no Rio. Contudo, o foco mesmo são o gashuku, uma espécie de retiro para treinamentos intensivos em algum lugar de preferência em contato com a natureza. São cerca de três dias a fio treinando e se inspirando. “Na luta você precisa aos poucos trazer calma, serenidade”, diz o senpai Wenzel. “E a natureza é a melhor inspiração para isso”, conclui. 

http://www.ofluminense.com.br/editorias/revista/filosofia-samurai

O FLUMINENSE


comentários  

Fernanda Ramos - NiteróiAcho que esta foi a melhor matéria realizada na unidade de Niterói. Parabéns a todos!



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