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Café com o Sensei

Pensamentos e comentários do Sensei Jorge Kishikawa


Últimas postagens:

27-jun-2012

Shugyo 2 - Como somos percebidos?

"Recém saídos da caverna onde Musashi Sensei escreveu o Livro dos Cinco Aneis (Gorin no Sho) fomos almoçar em um pequeno  restaurante típico da região, ali perto, na beira da estrada mesmo (daqueles da história do sonho de uma vida inteira no tempo de um cozinhar de castanhas).
 
Durante o almoço, um dos mestres  (Niten Ichi Ryu do Japão) e o nosso Sensei conversavam amistosamente. Eu apenas procurava me manter atento à conversa o suficiente para sintonizar a frequencia porque infelizmente não entendia quase nada do assunto. Pescando uma ou outra palavra da conversa que me eram familiares, senti que Shigematsu Sensei elogiava o nosso Sensei e o Sempai Wenzel.
 
Pedi licença a eles perguntei ao Sensei sobre o assunto ao que ele resumiu: "Ele estava dizendo que os nossos mestres e colegas de Niten Ichi
 Ryu do Japão ficaram impressionados quando viram o Sensei treinando 9h por dia em três turnos de três horas, o sempai Wenzel ficar com ambos os pés sangrando e mesmo assim continuar treinando até o fim, sem reclamação, nem facial...
 
Eis que curiosamente minha dor nas costas e no joelho direito sublimaram naquele momento, como num passe de mágica!
 
Bom assim, não!?!
 
Domo Arigatou gozaimashita ao mestre do Japao, ao nosso Sensei e ao Sempai Wenzel por mais esta lição...


Conversas na parada

26-jun-2012

Kenjutsu - Nito Gedan Tsuki

25-jun-2012

Shugyo com o Sensei 1 - Melhorar o mundo

A partir de hoje, colocarei as palavras do aluno Sanches diretamente do Japão:
 
"Osato sensei, Mano sensei e sempai Araki vieram nos buscar, Sensei e eu, na manhã de Domingo para um passeio. O dia estava chuvoso, aquela garoa fina e um pouco fria, bem típica de São Paulo nesta mesma época do ano, mas  estávamos em Sendai, cidade no norte do Japão.
Já no carro, Mano sensei colocou um DVD sobre o Tsunami ocorrido 1 ano antes. O video mostrava muito das partes que ficaram parcialmente destruídas, muito parecidas com as cenas que vimos na TV no ano passado. A reportagem era bem feita e tinha cerca de meia hora de duração, mas não mostrava a área que estávamos prestes a conhecer. Andamos cerca de meia hora mesmo, até um local descampado e plano, uma área enorme que poderia comportar uma cidade pequena. Descansando os olhos no solo dava para notar os contornos retangulares definidos no chão de quando em quando. Eram as "sombras" das casas que até o evento do tsunami ainda estavam lá, com seus móveis, decorações e principalmente: moradores.
 
Paramos o carro à base de um pequeno monte, em frente a uma escadaria de uns trinta degraus. Subimos com flores e incensos e chegando no topo haviam várias outras flores e insensos claramente recém colocados ali por outrem. Olhando ao longe em todo o nosso entorno era possível ver aquele grande descampado plano que, de acordo com nossos gentis anfitriões não aparecera na midia porque não havia o que mostrar, não havia mais nada ali depois que as águas levaram absolutamente tudo. Era provavelmente maior garantia de audiência mostrar na TV as casas semi-destruídas, os carros e barcos revirados, melhor que o Nada.
 
Os textos budistas falam muito do conceito de impermanência. Para mim, o sentimento que marcou aquela visão só fez reforçar esse conceito, estamos aqui realmente de passagem meus caros. O que nós, samurais modernos, precisamos deixar aqui nesta encarnação para aqueles que amamos? E para aqueles que consideramos e respeitamos? E para os outros? Que tipo de energias estamos fazendo circular neste mundo? Honra, coragem, respeito, compaixão, sabedoria, lealdade e razão, será que  estamos conseguindo 1) entender de verdade o que essas virtudes significam, 2) vivê-las no nosso dia-a-dia e 3) passá-las aos nossos próximos?
 
Talvez sejam necessárias algumas encarnações para chegar lá. Não importa, só interessa seguir adiante. A vida é curta e dura! Disso muitos de nós já sabemos. O que fazer então com o tempo que nos resta aqui? Treinar, treinar e treinar as virtudes. Como? Acredito que um bom começo seja mantendo regularidade nos seus treinos no Niten, o resto vai acontecendo nas outras áreas da vida com o tempo, acho que é como funciona para todos nós. De uma coisa tenho convicção: é um dos caminhos para aproveitar a vida e não desperdiçá-la...
 
Gostaria de dedicar esse texto em homenagem aos nossos irmãos japoneses mortos no tsunami de 2011.
Domo Arigatou Gozaimashita ao Niten e ao Sensei pela oportunidade!
 
 



"Nenhuma casa, nenhuma vida. O nada"



"Chegando ao Japão, uma prece a todas as vítimas do tsunami em Ishigaoka, onde não sobrou nenhuma casa ao redor deste pequeno monte"

22-jun-2012

Kenjutsu - Kodachi Tsuki

20-jun-2012

Hidensho 6 - Alvejado!

"Hoje, pela primeira vez, tive a oportunidade de lutar contra a Naginata do Sensei.
Como estratégia de defesa, adotei o Chudan Nitô, kamae que considero muito forte defensivamente.

Minha idéia inicial era a de que minha desvantagem consistia, principalmente, na distância, se assemelhando assim minha luta à maneira como se deve atacar quando se usa espada curta contra a longa. Ledo engano...

O que descobri foi muito mais fascinante e aterrador: as técnicas que Sensei usou com a Naginata faziam esta arma mais parecer com projéteis, vindo de todas as direções. Eram tiros por cima, pelo centro, pelos flancos e, quando se fazia possível neutralizar a lâmina da Naginata, o cabo vinha em seu auxílio no flanco oposto. Sun Tzu ficaria maravilhado com essa versatilidade!

 Ao final, sem sequer conseguir acertar um golpe, pensei que apenas um escudo poderia fazer frente àquelas técnicas aplicadas pelo Sensei.

Mas, no kenjutsu, usamos espadas... o Caminho deve estar no Hidensho...
Pensei em perguntar ao Sensei, mas desisti. jJá sei a resposta: “- Coloque o Bogu e vá treinar!”

“Hai Sensei! “ - disse, em pensamento."

Cristiano (Unidade Santos)


DO do Sensei: Bolas de fogo para alvejar o inimigo

 
O Hidensho trata , como já comentei anteriormente, de assuntos sobre a Estratégia, em japonês, Heiho.
Experimentar na prática, como este aluno, os conceitos sobre Estrategia que se tem ouvido falar é o que proponho  a você. Experimentar espada longa x curta, longa x longa, e por ai vai.
O interessante é perceber que nem todos os conceitos que voce tem se mostrarao eficazes, como neste caso.
E agora, meu caro?
 

19-jun-2012

1º Gashuku no Templo Nikkyoji




2 dias de treino, palestra e convívio intenso

18-jun-2012

Naginata - Men




15-jun-2012

Hidensho 5 - A captura da Andorinha

"Hoje na quinta feira tivemos mais dois grandes amigos no nosso treino:  Sempai (veterano)Silva e Sempai Fugimura, que alegria ter essas aulas particulares.
Fizemos alguns pilotos e também lutamos com a energia lá em cima, o Sempai Silva me mostrou algumas técnicas que acabaram sendo usada contra ele no embate final.
Sempai Fugimura me ajudara também em algumas correções.
O que chamou a atenção treinando contra o Sensei nesse dia foi o que chamei de a captura da Andorinha.
O Sensei estava com a Kodachi menor que a padrão, e toda vez que eu avançava  um golpe o Sensei pegava minha mão e Shinai no ar, em deslocamento para tentar atingi-lo, o Sensei pegava ela com uma precisão inacreditável sem se opor abruptamente minha força, e apenas desacelerando.
 
Eu percebi que o Sensei conseguia saber a velocidade do deslocamento da minha mão, e a mão do Sensei aparecia do nada também fora do meu ângulo de visão e assim era capturada num Irimi (captura) perfeito e em seguida me atingia com um golpe preciso.
 
Foram várias as tentativas minhas de tentar dar um golpe que fosse, mas o Sensei conseguiu em todas agarra-las, eu ficava sem reação, porque aquela captura era desconhecida para mim e era perfeita e precisa. Acho que algum segredo do Hidensho.
 
Aguilar (Unidade Vila Mariana)

 

Ilustração: Luigi (unidade Vila Mariana)

 

14-jun-2012

Kenjutsu - Nito Gedan Tsuki




13-jun-2012

Hidensho 4 - Naginata Simples


 
"Após várias lutas com Sensei durante toda a manhã,onde os kamaes (posturas) conhecidos
eram aplicados de forma totalmente desconhecida para mim veio uma grata surpresa acerca da simplicidade:
 
Wakigamae (a ponta voltada para trás)  com golpes rápidos, precisos e inesperados, provenientes de onde jamais esperaríamos.
Durante a luta contra Kodachi (espada menor) perdi o Men (elmo) completamente e adrenalina só subiu. Se estar diante do Sensei com bogu completo já é uma sensação de estar diante de uma montanha, sem o Men essa proporção aumentara e muito, uma sensação indescritível de experimentar o combate.
Sensei pede para eu recolocar o Men e passa para Naginata (alabarda) e quão feliz foi para mim o que ainda estava reservado. Sensei lutou de Naginata e praticamente toda a luta utilizou apenas as duas posturas básicas que havia me mostrado dois dias antes. Os golpes? O nosso men (cabeça), kote (antebraço), do (abdome)...nada de golpes com cabo, tsukis (estocadas) ou provenientes de baixo.
 
Todos os caminhos tem um primeiro passo, nós ocidentais muitas vezes dado esse primeiro passo nunca mais olhamos para trás, ou tentamos melhorar o caminho. O traço de um (ichi) em shodo (caligrafia japonesa) é treinado a exaustão e nunca perfeito apesar de ser o primeiro a ser aprendido, dois músicos podem tocar a mesma nota,  porém soarão completamente diferente mesmo em acorde básico.
Para mim foi um exercicicio de humildade, progredir cada coisa ao seu tempo, saber que o primeiros ensinamentos são na verdade muito mais imensos do que conseguimos conceber num primeiro momento, hora de deixar o copo vazio para aprender.
Lição ensinada, Sensei passa a lutar com posturas diferentes e passa com maestria lutando de perto ou longe. Podemos ver o golpe, mas defender é outra coisa bem diferente. No fim, tudo que posso pensar é que o "principio", pela propria definição, é simples, porém nunca fácil. O Caminho tem lindas paisagens a frente, hora de admirar o caminho de coração desde o início.
 A maior lição por mim compreendida é que o simples funciona muito bem nas mãos de um mestre."

Eder (Unidade Fortaleza)




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